Lacunas entre espasmos
Lacunas entre pensamentos
Paralisação do nervo óptico:
Fotografia na memória.
-Perfure, perfure agora, doutor!
Aproveite que meu corpo virou borracha
Faça comigo o que quiser,
só não me deixe de portas abertas.
Feche meu peito,
que ele não aguenta mais injeção.
Injete morfina, mas Amor, não.
Feche meus braços,
para eu me abraçar.
Quero toque de carinho
de quem me precisar.
Feche minhas pernas,
que eu não quero mais!
Já fui pele macia, dormi como os caracóis,
mas quis demais dos Beija-flores
que já não me quiriam.
Não faça como eles, doutor!
Me deixe coberta,
mesmo que sirva só para eu conhecer o calor.
Porque depois de hoje,
eu só quero voar como as Borboletas.
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sexta-feira, 24 de abril de 2009
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Um dia
O que achava ser meu
Guardado para mim
Já não era
E o que achava ser para sempre
Acabou-se
Como todas as coisas estão fadadas a acabar
E o que antes era eterno
E o que antes era meu
Ou pelo menos a ilusão era minha
Eu perdi...
Como quase tudo é perdido...
E o que fazer a respeito?
Aproveitá-las aos poucos, em conta gotas
Guardando os restos em uma caixinha?
Ou aproveitar tudo de uma vez?
Como se o mundo não girasse
E o tempo fosse uma valsa
Tocando a nosso favor
E assim a vida se escoa
Cada gotinha caindo entre as mãos
Se esvaindo e se acabando...
O que achava ser meu
Guardado para mim
Já não era
E o que achava ser para sempre
Acabou-se
Como todas as coisas estão fadadas a acabar
E o que antes era eterno
E o que antes era meu
Ou pelo menos a ilusão era minha
Eu perdi...
Como quase tudo é perdido...
E o que fazer a respeito?
Aproveitá-las aos poucos, em conta gotas
Guardando os restos em uma caixinha?
Ou aproveitar tudo de uma vez?
Como se o mundo não girasse
E o tempo fosse uma valsa
Tocando a nosso favor
E assim a vida se escoa
Cada gotinha caindo entre as mãos
Se esvaindo e se acabando...
domingo, 25 de janeiro de 2009
Navegações
Navegante da minha alma
Ancora tua nau em destino certo
Que o meu é desvairar
Navegante acostumado com águas revoltas
Não se conforma com as águas calmas
da vida que lhe é ofertada
Naufrago da vida
Navegante do seu mundo
Sua vida me mata
E a cada morte renasço
Para mim ou pra os outros?
Em um conhecimento de mim mesma
Ancora tua nau em destino certo
Que o meu é desvairar
Navegante acostumado com águas revoltas
Não se conforma com as águas calmas
da vida que lhe é ofertada
Naufrago da vida
Navegante do seu mundo
Sua vida me mata
E a cada morte renasço
Para mim ou pra os outros?
Em um conhecimento de mim mesma
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Segunda de manhã, ainda de camisola, olho-me no espelho e vejo-a. Está sorrindo e imitando meus gestos. Lá está uma garotinha, gordinha, bochechuda e com um sorriso no rosto, a fitar-me.
Olho espantada o espelho procurando respostas, mas a imagem apenas sorri. Tento tocá-la e ao encostar sua mãozinha na minha, sinto apenas o frio do espelho. Ficamos paradas, as duas, observando-nos. Eu, emocionada pelo passado, pela criança que fui. Ela, admirada, com a pessoa a qual se tornará daqui a dez anos.
Não recordava-me de ser tão inocente, tão pura, tão singela. Quem dera guardar isso tudo eternamente comigo!
Mesmo caladas, entendemo-nos. Eu, querendo entrar no mundo do espelho e tomar o seu lugar, que um dia fora o meu; quando tudo era fácil, simples e a maior dor sentida era apenas de arranhões causados pelas brincadeiras. Ela, querendo sair e substituir-me, querendo crescer, ter direitos, vontades próprias. Tenho vontade de falhar-lhe dos problemas, mágoas e tristezas do crescimento. Onde arranhões fazem apenas cócegas e carinho no coração. Mas para que destruir-lhe o sonho? A esperança? Para que roubar-lhe a inocência que há muito perdi?
Deixei-a assim, na ignorância do que é dor. Para que aprender certos conceitos agora? Que Deus a conserve livre de tudo e de todos! Talvez vendo o peso de mais dez anos, percorra um caminho diferente e tenha outra imagem; mais alegre, mais viva. É, talvez. Talvez daqui a dez anos eu descubra.
Olho espantada o espelho procurando respostas, mas a imagem apenas sorri. Tento tocá-la e ao encostar sua mãozinha na minha, sinto apenas o frio do espelho. Ficamos paradas, as duas, observando-nos. Eu, emocionada pelo passado, pela criança que fui. Ela, admirada, com a pessoa a qual se tornará daqui a dez anos.
Não recordava-me de ser tão inocente, tão pura, tão singela. Quem dera guardar isso tudo eternamente comigo!
Mesmo caladas, entendemo-nos. Eu, querendo entrar no mundo do espelho e tomar o seu lugar, que um dia fora o meu; quando tudo era fácil, simples e a maior dor sentida era apenas de arranhões causados pelas brincadeiras. Ela, querendo sair e substituir-me, querendo crescer, ter direitos, vontades próprias. Tenho vontade de falhar-lhe dos problemas, mágoas e tristezas do crescimento. Onde arranhões fazem apenas cócegas e carinho no coração. Mas para que destruir-lhe o sonho? A esperança? Para que roubar-lhe a inocência que há muito perdi?
Deixei-a assim, na ignorância do que é dor. Para que aprender certos conceitos agora? Que Deus a conserve livre de tudo e de todos! Talvez vendo o peso de mais dez anos, percorra um caminho diferente e tenha outra imagem; mais alegre, mais viva. É, talvez. Talvez daqui a dez anos eu descubra.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Rosa,mar e nuvens

Poderia ter corrido não corri
Poderia ter andado mais devagar, não andei
Queria ter gritado minha dor
Mas guardei-a só para mim, egoísta que eu sou
Minha vida foi buscar a completude
Apesar de sabê-la impossível
Na verdade, achando-a
Mas perdendo em seguida
Pois mantê-la seria um crime
Contra mim
Contra minha vida
Contra o sentido
Minha vida é baseada na completude existente na incompletude
Na nostalgia do que foi
Na saudade do não vivido
No amor cultivado
no ódio retraído
E isso me faz humano?
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
pescadores
mãos as quantas, nem sei
desfiz-me surpreso
mãos
que apertam (surdas)
o peito, que ofuscam
nutrem-se dos ardores
mãos
ocas, que só passeiam
percorrem, oco do mundo
incontáveis
inconstância
ânsia, sentí
sentí calor, suor
um tão pecaminoso pavor:
amor!,
dias então
esses dias nossos tão iguais...
David Olivera
desfiz-me surpreso
mãos
que apertam (surdas)
o peito, que ofuscam
nutrem-se dos ardores
mãos
ocas, que só passeiam
percorrem, oco do mundo
incontáveis
inconstância
ânsia, sentí
sentí calor, suor
um tão pecaminoso pavor:
amor!,
dias então
esses dias nossos tão iguais...
David Olivera
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Tresvario Inicial

Há quem se pergunte onde vive a imaginação do poeta.
Há quem se pergunte o porquê de tantas idéias incertas.
Há quem não entenda as palavras mais sinceras.
Há quem acredite que frases não passam de pensamentos que facilmente se apagam no tempo.
No entanto há também quem saiba fazer a diferença. Quem perceba o quão forte e iminente é o poder da mente.
Há quem veja além da primeira impressão. Quem encontre, ao observar o nascer do sol, o motivo da nossa existência e que saiba que o segredo da vida está além da ciência.
São essas pessoas que encontram o segredo da sabedoria, que encontram a melhor forma de viajar nas asas da teoria.
São essas pessoas que entendem que as palavras certas são ditas quando menos se espera, pois é no exercício das idéias que se encontram as fantasias mais eternas.
Portanto, modéstia à parte, nós, os “tresvariantes”, somos, ou tentamos ser, esse tipo de pessoa. Se você deseja viajar conosco nesse mundo de idéias e imaginação, pode vir! Aqui não nasce apenas o Tresvario em Prosa e Poesia, e sim, um espaço para a criatividade de pessoas com mente aberta para esse mundo de idéias...
Jéssica Welma
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Texto adaptado para o blog Tresvarios em Prosa e Poesia.
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